Diz a lenda que um rei estava muito triste devido à morte de sua filha. Este rei ofereceu qualquer recompensa, limitada à metade de seu reino, à quem o trouxesse a felicidade novamente.
Eis que surgiu um sábio com um jogo para o rei. O jogo chamava-se xadrez, um conhecido jogo de tabuleiro com 64 casas, e conseguiu prender as atenções do rei e o distrair do seu luto. Então o rei trouxe o sábio para a corte, na frente de todos, e disse que ele escolhesse seu prêmio, até o limite da metade do reino. O sábio então disse: Majestade, sou apenas um sábio, e metade de seu reino seria penoso demais para administrar. Por isso, meu pedido é mais simplório: quero que na primeira casa do meu tabuleiro, coloque um grão de trigo. Na segunda, dobre a quantidade para dois, na terceira, dobre a quantidade para 4 e assim por diante.
O rei riu alto, pois como que o sábio pedira algo tão simples, tão pequeno, sendo que poderia ter pedido mansões, cavalos, rebanhos, terras, escravos.... e aparecia com um pedido esdrúxulo que algumas sacas de trigo dariam conta. Mandou chamar os criados para que trouxessem algumas sacas de trigo para satisfazer o desejo do excêntrico convidado. Em algum tempo, o rei percebeu que nunca poderia satisfazer o desejo que parecia tão simples.
O que o sábio mostrou para todos naquele dia, foi o poder dos juros compostos.
Ora, se na primeira casa precisava de apenas 1 grão, na segunda casa apenas 2 grãos, na terceira casa 4 grãos (2x2), na última casa precisaria de 63 vezes 2x2x2x2.....grãos (dois elevado à 63). Este número é tão grande, que se o rei começasse a depositar um grão por segundo apenas na última casa, levaria mais de 292 BILHÕES de anos para terminar. Logicamente, o rei não conseguiu cumprir a promessa, e o sábio provou que os juros compostos são a força mais poderosa do universo.
Ora, caro leitor, se aplicarmos o nosso dinheiro a uma taxa de 8% ao ano, ele dobra em praticamente 9 anos. Isso significa ir para a próxima casinha no xadrez. Após 18 anos, você terá o quádruplo, e após 27 anos, 8 vezes mais. Após 36 anos, 16 vezes mais dinheiro, e após 45 anos, 32 vezes mais dinheiro. Claro, podemos ir assim para sempre, apenas com 8% ao ano e chegaremos em pouco tempo a sermos donos do mundo.
Existe outra história a respeito dos índios norte-americanos que venderam a ilha de Manhattan por 24 dólares. Índios estúpidos, qualquer um pensa à primeira vista. Se houvessem mantido a ilha, hoje poderiam ser donos de trilhões de dólares em propriedades. Não vamos entrar no mérito se a ilha seria o sucesso que é hoje caso os índios mantivessem a propriedade, mas vamos, pelo bem da comparação, assumir que sim, os índios entregaram algo que no futuro valeria trilhões de dólares por apenas 24 dólares. O detalhe é que ela foi vendida em 1626, e se aplicarmos uma taxa de 8% de juros ao ano naqueles 24 dólares, hoje eles teriam mais de 200 trilhões de dólares, e nenhum trabalho, exceto o de esperar, algo que eles teriam que fazer de qualquer jeito se ficassem construindo os imóveis que hoje existem na ilha.
Claro, ninguém quer ficar esperando 300 ou 400 anos para ficar rico. E obviamente, ninguém precisa de 200 trilhões de dólares para curtir a vida. O ponto é que, para fazer o dinheiro crescer, você precisa de três ingredientes: poupança, juros e tempo.
Se você puder aplicar seu dinheiro a uma taxa de 8% ao ano e além disso aplicar do bolso mais 7% todo ano, se dinheiro crescerá 15% ao ano. Isso fará ele dobrar a cada 5 anos. Em 20 anos, você terá 16 vezes mais. Claro que se pensarmos em ganhar taxas mais elevadas de retorno, será mais fácil esperar menos tempo. Só é necessário tomar cuidado para não esquecer da Regra Número 1 do mundo dos investidores: Nunca Perca.
SocioYield
sexta-feira, 29 de maio de 2020
segunda-feira, 25 de maio de 2020
“Não é a cabeça, mas o estômago que determina o destino do investidor.”
(Texto escrito em 2013) - Não lembro o autor da frase. Não fui eu, mas concordo 100%. Depois de ter passado pelo crash de 2008, não há como discordar. Depois de vir investindo em BB desde o início de 2009, não há como discordar mesmo. A bendita ação do BB sempre mostrou ótimos indicadores, mas a cotação nunca "decolou". Houve diversos "drivers" que a impediram de subir.
Depois da crise "passar" (em 2009 a bolsa subia, mas sabemos que a crise de 2008 não acabou até hoje), houve boatos e posterior fato da compra da Nossa Caixa. Isso manteve BB em cotações de 2008 no início de 2009. Em 2010, a bolsa caiu, e ele ficou cotado em baixa... Depois em 2011 ele teve que emitir novas ações para adequar o free-float em 25%. E isso manteve as ações em baixa. Depois em 2012 houve os boatos da famigerada queda dos juros e spreads forçados pela Dilma. E agora em 2013 tudo está capotando e ele está se mantendo em baixa. Já são 4 anos (5 se contarmos 2008) de excelentes cotações para investir. E o lucro se manteve bem, mesmo com crise e pibinho.
Aparentemente as pessoas se acostumaram a cotar BB (esse sim inquebrável) a 5, 6 vezes os lucros. E quando dizem que está em "alta", é porque está negociado a 8x! Fazer o que né, é comprar sempre e abrir o sorriso a cada trimestre quando cai o faz-me-rir.
Quem precisa de uma confirmação dos outros, deve ficar longe da bolsa. Compro BB religiosamente há anos, e a bagaça não subiu. Não me incomodo. O único problema de fato é que fico muito preocupado quando vai sair resultado trimestral, pois tem uma concentração muito grande na minha carteira. Já estou trabalhando nisso. No entanto, sabemos que precisamos de um pouco de diversificação, senão o risco é grande demais.
Não quero fazer um post grande, quero apenas provar meu ponto: Meu ponto é que de 2007 até hoje, o ibovespa está no zero a zero. Minha carteira está com +72%. Praticamente tudo disso são dividendos. Não é nada incrível, dá menos de parcos 9% a.a. mas se eu me preocupasse cada vez que a cotação do bendito BB cai, e vendesse, com certeza estaria no prejuízo. Imagina se eu fosse na euforia dos outros e comprasse OGX, a empresa do futuro, rs...Não precisa ser nenhum gênio para investir em ações, nem precisa ser rápido no raciocínio. Precisa sim saber tomar decisões embasadas, e principalmente confiar mais no próprio julgamento do que no dos outros.
* E precisa ter estômago! Eu fico tão preocupado quando vai ter resultado do BB que nem durmo direito. Por isso não estou comprando mais esta ação, mesmo com estas cotações "de graça". Estou dando uma diversificada na carteira, mandando uns FIIs aos poucos... pois invisto para ter paz de espírito, e não o contrário!
Para mim, a paz de espírito vem antes da busca pela rentabilidade.
Depois da crise "passar" (em 2009 a bolsa subia, mas sabemos que a crise de 2008 não acabou até hoje), houve boatos e posterior fato da compra da Nossa Caixa. Isso manteve BB em cotações de 2008 no início de 2009. Em 2010, a bolsa caiu, e ele ficou cotado em baixa... Depois em 2011 ele teve que emitir novas ações para adequar o free-float em 25%. E isso manteve as ações em baixa. Depois em 2012 houve os boatos da famigerada queda dos juros e spreads forçados pela Dilma. E agora em 2013 tudo está capotando e ele está se mantendo em baixa. Já são 4 anos (5 se contarmos 2008) de excelentes cotações para investir. E o lucro se manteve bem, mesmo com crise e pibinho.
Aparentemente as pessoas se acostumaram a cotar BB (esse sim inquebrável) a 5, 6 vezes os lucros. E quando dizem que está em "alta", é porque está negociado a 8x! Fazer o que né, é comprar sempre e abrir o sorriso a cada trimestre quando cai o faz-me-rir.
Quem precisa de uma confirmação dos outros, deve ficar longe da bolsa. Compro BB religiosamente há anos, e a bagaça não subiu. Não me incomodo. O único problema de fato é que fico muito preocupado quando vai sair resultado trimestral, pois tem uma concentração muito grande na minha carteira. Já estou trabalhando nisso. No entanto, sabemos que precisamos de um pouco de diversificação, senão o risco é grande demais.
Não quero fazer um post grande, quero apenas provar meu ponto: Meu ponto é que de 2007 até hoje, o ibovespa está no zero a zero. Minha carteira está com +72%. Praticamente tudo disso são dividendos. Não é nada incrível, dá menos de parcos 9% a.a. mas se eu me preocupasse cada vez que a cotação do bendito BB cai, e vendesse, com certeza estaria no prejuízo. Imagina se eu fosse na euforia dos outros e comprasse OGX, a empresa do futuro, rs...Não precisa ser nenhum gênio para investir em ações, nem precisa ser rápido no raciocínio. Precisa sim saber tomar decisões embasadas, e principalmente confiar mais no próprio julgamento do que no dos outros.
* E precisa ter estômago! Eu fico tão preocupado quando vai ter resultado do BB que nem durmo direito. Por isso não estou comprando mais esta ação, mesmo com estas cotações "de graça". Estou dando uma diversificada na carteira, mandando uns FIIs aos poucos... pois invisto para ter paz de espírito, e não o contrário!
Para mim, a paz de espírito vem antes da busca pela rentabilidade.
quarta-feira, 6 de maio de 2020
Enough is Enough
Quando questionadas sobre quanto dinheiro precisariam para parar definitivamente de trabalhar, a maioria das pessoas é pega de surpresa. Nunca pensaram nisso. Faça o teste. Pergunte aos seus colegas. A maioria responderá algo absurdo, entre 5 - 30 MILHÕES!
Será mesmo?
Presenciei uma conversa assim com um colega do trabalho que a esposa estava grávida. O cara teve a moral de ir pra Miami pra comprar carrinho de bebê e outras coisas pro bebê. Disse que era pra economizar (!). Achou algo importado extremamente caro aqui, e inventou a desculpa de ir pra lá pra "economizar". Mas vamos deixar isso pra lá.
Enfim, alguém havia ganho uns 12 ou 20 reais na loto, nem sei se foi ele... e o questionaram de quanto ele precisaria pra parar de vez. Ele foi pensando e falando: Quanto 1 milhão aplicado na poupança daria? Eu o respondi (isso na época que a poupança dava 6%, em 2012 ou 2013 acho): 1 milhão dá 60k ao ano, ou seja, 5k por mês. Logo, algo próximo do seu salário, pelo o que imagino. Ele parou... pensou... e disse, com total convicção:" ah, com 5 milhões eu paro!"
WTF! Você vive muito bem com 5k a.m. Acabou de ir pra Miami, carai. Por que raios precisaria de 25k ao mês?
E aí me peguei pensando em quais são os erros mais comuns quando fazemos este tipo de estimativa:
1) As pessoas acham que irão aplicar uma quantia enorme na poupança
Amigo, com 1 milhão, sendo o mais cagão e preguiçoso possível, você conseguiria aplicar a mais de 100% do CDI apenas conversando 5 minutos num banco. Se tiver paciência para pesquisar fundos imobiliários por 3 dias, poderia (em 2013) receber isento de IR tranquilo 8,5% a.a. Hoje (2020) esta taxa é mais para 5 ou 6% a.a. Isso sobre 1 milhão dá 60k
2) Acham que manterão o mesmo padrão de gastos quando pararem de trabalhar.
Já parou pra pensar o quanto você gasta por causa do trabalho? é transporte, ônibus, gasolina, estacionamento, multa de trânsito, sapato, terno, gravata, camisa, fazer barba todo dia, babá pro filho pequeno, curso de especialização "sem pressão" nenhuma da firma, almoço caro, happy hour com a galera, presentinho pro filho do chefe que nasceu etc. Novidade: todos estes gastos evaporarão no dia em que você parar de trabalhar.
3) Pior - acham que viverão de férias
O cara faz a conta de quanto ele gastou 1 semana num hotel neste ano e acha que se recebesse uma bolada iria passar a maior parte do ano viajando pelo mundo.
O que a grande maioria não percebe, é que além de todos os gastos devido ao trabalho já citados, existem outros gastos de "descompressão"! Quantas vezes você já não pensou:"ah, esta semana foi foda, preciso ir prum restaurante, pra praia.. eu mereço!"
ou ainda:"preciso esquecer dos meus problemas, vou pro bar" ou:
"estou podre, nada de fazer comida hoje, vou ligar pro delivery"
Perceba que, não fosse o stress que sofremos 5 dias por semana, das 9 às 18 (sem contar o transporte), não haveria a necessidade de gastar compulsivamente. Você iria cozinhar mais em casa, iria você mesmo limpar sua casa, e não precisaria torrar uma nota num restaurante ou bar pra ter 1 hora de felicidade.
4) Acham que após parar de trabalhar ficarão décadas sem ganhar 1 real sequer.
é absolutamente natural que após você parar de trabalhar fique um período totalmente parado para descansar e aliviar o "trauma" de viver enjaulado num cubículo com o ar-condicionado sempre muito frio ou muito quente. Porém, é natural também que seu verdadeiro "eu" vá aparecendo. Se você gosta de idiomas, artes marciais, música, carpintaria, irá começar a ter seu hobby para se divertir. E com o tempo, ficará tão bom nisso que será pago (menos do que o emprego corporativo, obviamente) para fazer um móvel de carpintaria, dar umas aulinhas de música/idiomas para alguns conhecidos and so on...
Caros leitores, tenho certeza que este meu colega conseguiria viver muito bem apenas com os rendimentos de 500k (isso com o rendimento dos FIIs em 2013) bem aplicados, ao invés de esperar algo que nunca vai chegar, como os 5 milhões que ele pensou. Aos 8.5% ao ano citados, já daria 3,5k ao mês. Para uma pessoa acostumada a viver numa cidade grande, num escritório estilo Dilbert, com um padrão de gastos com o emprego e com descompressão elevados, 3,5k parecem pouco. Mas não são. Isso me lembra de um história sobre um jornalista e um gestor de investimentos aposentado que estavam em alguma festa do setor de investimentos. A conversa foi mais ou menos assim:
J - está vendo aquele cara ali? é o maior gestor de fortunas do mundo. Em um dia ele ganha mais do que eu ou você podemos sonhar em ganhar a vida inteira.
G - é, mas eu tenho algo que ele não tem.
J - e o que seria isso?
G - o suficiente.
E você, já parou para pensar em quanto dinheiro é o suficiente para você? E em quanto tempo é o suficiente para você? Todo mundo irá se aposentar, mais cedo ou mais tarde. A única questão é quando, e sobre se é melhor tomar a iniciativa ou aguardar que te aposentem.
Definir a linha de chegada é crucial para conseguir terminar a corrida.
Será mesmo?
Presenciei uma conversa assim com um colega do trabalho que a esposa estava grávida. O cara teve a moral de ir pra Miami pra comprar carrinho de bebê e outras coisas pro bebê. Disse que era pra economizar (!). Achou algo importado extremamente caro aqui, e inventou a desculpa de ir pra lá pra "economizar". Mas vamos deixar isso pra lá.
Enfim, alguém havia ganho uns 12 ou 20 reais na loto, nem sei se foi ele... e o questionaram de quanto ele precisaria pra parar de vez. Ele foi pensando e falando: Quanto 1 milhão aplicado na poupança daria? Eu o respondi (isso na época que a poupança dava 6%, em 2012 ou 2013 acho): 1 milhão dá 60k ao ano, ou seja, 5k por mês. Logo, algo próximo do seu salário, pelo o que imagino. Ele parou... pensou... e disse, com total convicção:" ah, com 5 milhões eu paro!"
WTF! Você vive muito bem com 5k a.m. Acabou de ir pra Miami, carai. Por que raios precisaria de 25k ao mês?
E aí me peguei pensando em quais são os erros mais comuns quando fazemos este tipo de estimativa:
1) As pessoas acham que irão aplicar uma quantia enorme na poupança
Amigo, com 1 milhão, sendo o mais cagão e preguiçoso possível, você conseguiria aplicar a mais de 100% do CDI apenas conversando 5 minutos num banco. Se tiver paciência para pesquisar fundos imobiliários por 3 dias, poderia (em 2013) receber isento de IR tranquilo 8,5% a.a. Hoje (2020) esta taxa é mais para 5 ou 6% a.a. Isso sobre 1 milhão dá 60k
2) Acham que manterão o mesmo padrão de gastos quando pararem de trabalhar.
Já parou pra pensar o quanto você gasta por causa do trabalho? é transporte, ônibus, gasolina, estacionamento, multa de trânsito, sapato, terno, gravata, camisa, fazer barba todo dia, babá pro filho pequeno, curso de especialização "sem pressão" nenhuma da firma, almoço caro, happy hour com a galera, presentinho pro filho do chefe que nasceu etc. Novidade: todos estes gastos evaporarão no dia em que você parar de trabalhar.
3) Pior - acham que viverão de férias
O cara faz a conta de quanto ele gastou 1 semana num hotel neste ano e acha que se recebesse uma bolada iria passar a maior parte do ano viajando pelo mundo.
O que a grande maioria não percebe, é que além de todos os gastos devido ao trabalho já citados, existem outros gastos de "descompressão"! Quantas vezes você já não pensou:"ah, esta semana foi foda, preciso ir prum restaurante, pra praia.. eu mereço!"
ou ainda:"preciso esquecer dos meus problemas, vou pro bar" ou:
"estou podre, nada de fazer comida hoje, vou ligar pro delivery"
Perceba que, não fosse o stress que sofremos 5 dias por semana, das 9 às 18 (sem contar o transporte), não haveria a necessidade de gastar compulsivamente. Você iria cozinhar mais em casa, iria você mesmo limpar sua casa, e não precisaria torrar uma nota num restaurante ou bar pra ter 1 hora de felicidade.
4) Acham que após parar de trabalhar ficarão décadas sem ganhar 1 real sequer.
é absolutamente natural que após você parar de trabalhar fique um período totalmente parado para descansar e aliviar o "trauma" de viver enjaulado num cubículo com o ar-condicionado sempre muito frio ou muito quente. Porém, é natural também que seu verdadeiro "eu" vá aparecendo. Se você gosta de idiomas, artes marciais, música, carpintaria, irá começar a ter seu hobby para se divertir. E com o tempo, ficará tão bom nisso que será pago (menos do que o emprego corporativo, obviamente) para fazer um móvel de carpintaria, dar umas aulinhas de música/idiomas para alguns conhecidos and so on...
Caros leitores, tenho certeza que este meu colega conseguiria viver muito bem apenas com os rendimentos de 500k (isso com o rendimento dos FIIs em 2013) bem aplicados, ao invés de esperar algo que nunca vai chegar, como os 5 milhões que ele pensou. Aos 8.5% ao ano citados, já daria 3,5k ao mês. Para uma pessoa acostumada a viver numa cidade grande, num escritório estilo Dilbert, com um padrão de gastos com o emprego e com descompressão elevados, 3,5k parecem pouco. Mas não são. Isso me lembra de um história sobre um jornalista e um gestor de investimentos aposentado que estavam em alguma festa do setor de investimentos. A conversa foi mais ou menos assim:
J - está vendo aquele cara ali? é o maior gestor de fortunas do mundo. Em um dia ele ganha mais do que eu ou você podemos sonhar em ganhar a vida inteira.
G - é, mas eu tenho algo que ele não tem.
J - e o que seria isso?
G - o suficiente.
E você, já parou para pensar em quanto dinheiro é o suficiente para você? E em quanto tempo é o suficiente para você? Todo mundo irá se aposentar, mais cedo ou mais tarde. A única questão é quando, e sobre se é melhor tomar a iniciativa ou aguardar que te aposentem.
Definir a linha de chegada é crucial para conseguir terminar a corrida.
Frugalidade Extrema
Na ânsia por chegarmos logo a uma quantia respeitável de dinheiro, cometemos excessos de frugalidade. Pude listar alguns que vi na internet:
->Fazer a conta reais/caloria na hora de ir ao mercado. (essa foi do Viver de Renda, se me lembro bem)
->Usar o banheiro do trabalho.
->Tomar poucos banhos.
->Andar a pé para economizar ônibus.
Sim, sim, e a lista não pára por aí... afinal, se um cara não vai do ponto A ao ponto B de táxi ou de carro, e nem de ônibus, que é o símbolo da pobreza, tudo para economizar, no mínimo ele merece um bom crescimento do patrimônio. De fato, o patrimônio cresce. É só dar tempo ao tempo.
Após o crescimento exponencial do patrimônio, o investidor se pergunta: "puxa vida, que ridículo eu fui, usando sapato até ficar sem sola, evitando sair de casa, e aquilo para economizar o quê? 30, 50 reais por mês? Eu não precisava ter feito tal sacrifício...errei a mão! Hoje ganho muitas vezes mais que isso só de dividendo!"
E aí vem o arrependimento, e a vontade de aconselhar os iniciantes a aproveitar melhor a vida e tals...
O fato, caros amigos investidores, é que os nossos sacrifícios no início não foram tão terríveis assim. Se lembrar bem, até que foi divertido. Primeiro, nossa bolinha de neve cresce praticamente devido a aportes no início. Cada real conta.
One day, one dollar é um ditado dos ricaços americanos. Dividendo reinvestido e um aporte mais "light" em relação à renda é pra quem já fez a parte difícil inicial. Segundo, e não menos importante, dá prazer saber que estamos nos diferenciando da manada. Afinal, se estamos fazendo diferente da manada, no mínimo sabemos que chegaremos a um destino diferente. Enquanto seu primo financiou um carro em 72x e gasta o que sobra em balada, lá está você, aportando dinheiro que iria para parcela de carro + o dinheiro do ônibus, sonhando com quando ganhará um carro apenas com os dividendos mensais, num futuro não muito distante... e a bola de neve vai crescendo.
E frugalidade extrema me lembra um caso que saiu na imprensa faz uns anos: tenho quase certeza que foi com o Antonio Ermírio de Moraes. O cara, bilionário, já velho, foi convencido pela família a finalmente tirar umas férias. ---_Lembre-se, um bilhão rendendo 12% ao ano dá 120 milhões, apenas 10 milhões por mês... isso pra 1 bilhão, e acho que ele e família tem uns 20 bi... Começa que o cara vai de avião comercial (nada de jatinho, veja aí a grande teoria do ponto A ao ponto B em aplicação) pra Paris com a esposa. Chegando lá, a companhia aérea sumiu com uma mala dele. A esposa o convence a não se estressar, que eles deveriam aproveitar a viagem. Eles passam numa rua comercial na mesma noite, com um objetivo simples: comprar cuecas, pois todas estavam na mala extraviada. Ao entrar numa Ralph Lauren da vida, ele depara-se com o preço praticamente jocoso de 60 dólares por uma cueca! E nosso herói recusa-se a comprar, e no dia seguinte vai num "Brás" qualquer lá de Paris e compra cuecas a preços realistas...
Nossa, quase me escorre uma lágrima. Que heroísmo! O cara tem uma fortuna tão bizarra que é até difícil de calcular, afinal entra e sai dinheiro a cada minuto... vive na mais absurda abundância, mas trabalhou tanto a vida toda que não se esqueceu que vivemos num mundo de escassez. Que dinheiro não aceita desaforo. E se recusou a gastar uma merreca ridícula para ele, o que seria muito mais insignificante que 1 centavo para um de nós. Ele podia ter comprado a porra da loja inteira com um cheque. Por isso o cara é rico. Porque ele valoriza o dinheiro.
Então, quando alguém da manada tentar te repreender dizendo que você é pão-duro, sorria e pense no que um bilionário self-made man como Buffett, Parisotto, Barsi ou Antonio Ermírio diria do seu comportamento. Afinal, se é para se importar com a opinião de alguém, que seja com a opinião desses dos nossos exemplos!
->Fazer a conta reais/caloria na hora de ir ao mercado. (essa foi do Viver de Renda, se me lembro bem)
->Usar o banheiro do trabalho.
->Tomar poucos banhos.
->Andar a pé para economizar ônibus.
Sim, sim, e a lista não pára por aí... afinal, se um cara não vai do ponto A ao ponto B de táxi ou de carro, e nem de ônibus, que é o símbolo da pobreza, tudo para economizar, no mínimo ele merece um bom crescimento do patrimônio. De fato, o patrimônio cresce. É só dar tempo ao tempo.
Após o crescimento exponencial do patrimônio, o investidor se pergunta: "puxa vida, que ridículo eu fui, usando sapato até ficar sem sola, evitando sair de casa, e aquilo para economizar o quê? 30, 50 reais por mês? Eu não precisava ter feito tal sacrifício...errei a mão! Hoje ganho muitas vezes mais que isso só de dividendo!"
E aí vem o arrependimento, e a vontade de aconselhar os iniciantes a aproveitar melhor a vida e tals...
O fato, caros amigos investidores, é que os nossos sacrifícios no início não foram tão terríveis assim. Se lembrar bem, até que foi divertido. Primeiro, nossa bolinha de neve cresce praticamente devido a aportes no início. Cada real conta.
One day, one dollar é um ditado dos ricaços americanos. Dividendo reinvestido e um aporte mais "light" em relação à renda é pra quem já fez a parte difícil inicial. Segundo, e não menos importante, dá prazer saber que estamos nos diferenciando da manada. Afinal, se estamos fazendo diferente da manada, no mínimo sabemos que chegaremos a um destino diferente. Enquanto seu primo financiou um carro em 72x e gasta o que sobra em balada, lá está você, aportando dinheiro que iria para parcela de carro + o dinheiro do ônibus, sonhando com quando ganhará um carro apenas com os dividendos mensais, num futuro não muito distante... e a bola de neve vai crescendo.
E frugalidade extrema me lembra um caso que saiu na imprensa faz uns anos: tenho quase certeza que foi com o Antonio Ermírio de Moraes. O cara, bilionário, já velho, foi convencido pela família a finalmente tirar umas férias. ---_Lembre-se, um bilhão rendendo 12% ao ano dá 120 milhões, apenas 10 milhões por mês... isso pra 1 bilhão, e acho que ele e família tem uns 20 bi... Começa que o cara vai de avião comercial (nada de jatinho, veja aí a grande teoria do ponto A ao ponto B em aplicação) pra Paris com a esposa. Chegando lá, a companhia aérea sumiu com uma mala dele. A esposa o convence a não se estressar, que eles deveriam aproveitar a viagem. Eles passam numa rua comercial na mesma noite, com um objetivo simples: comprar cuecas, pois todas estavam na mala extraviada. Ao entrar numa Ralph Lauren da vida, ele depara-se com o preço praticamente jocoso de 60 dólares por uma cueca! E nosso herói recusa-se a comprar, e no dia seguinte vai num "Brás" qualquer lá de Paris e compra cuecas a preços realistas...
Nossa, quase me escorre uma lágrima. Que heroísmo! O cara tem uma fortuna tão bizarra que é até difícil de calcular, afinal entra e sai dinheiro a cada minuto... vive na mais absurda abundância, mas trabalhou tanto a vida toda que não se esqueceu que vivemos num mundo de escassez. Que dinheiro não aceita desaforo. E se recusou a gastar uma merreca ridícula para ele, o que seria muito mais insignificante que 1 centavo para um de nós. Ele podia ter comprado a porra da loja inteira com um cheque. Por isso o cara é rico. Porque ele valoriza o dinheiro.
Então, quando alguém da manada tentar te repreender dizendo que você é pão-duro, sorria e pense no que um bilionário self-made man como Buffett, Parisotto, Barsi ou Antonio Ermírio diria do seu comportamento. Afinal, se é para se importar com a opinião de alguém, que seja com a opinião desses dos nossos exemplos!
domingo, 3 de maio de 2020
Foco no Fluxo de Caixa
Trabalho, Terra e Capital. Estas são as três fontes de renda de qualquer pessoa no planeta. Do trabalho, não há muito que falar. Você vende suas horas para alguém e este alguém paga por elas. E este é o principal problema de depender apenas do trabalho: Você nunca terá tempo para você. Seu tempo pertencerá a outros. E o problema é que tempo é um recurso escasso demais para nós mortais. A remuneração do trabalho é o salário.
A terra significa os recursos naturais: um terreno, um apartamento, uma fazenda, um galpão industrial, uma sala comercial. Quando você é dono de terra, a situação começa a mudar a seu favor. Você pode cobrar aluguel para alguém utilizar sua propriedade, e o dinheiro do aluguel entra, quer você trabalhe ou não. A remuneração da terra é o aluguel.
O capital é o dinheiro que te gera dinheiro. Pode ser participação em uma empresa, títulos, cotas de fundos de investimento ou qualquer outra coisa que te gere ativamente um fluxo positivo de dinheiro. A remuneração do capital são os juros e os lucros. Ou seja, se quiser viver sem trabalhar, precisará investir em terra e capital. Nada mais simples do que isso.
Investir em ativos e reaplicar os ganhos até que se possa viver da renda dos investimentos.
Mas o que são ativos? É toda terra e capital que te gerem um fluxo positivo de dinheiro. Infelizmente as pessoas tendem a confundir grandes gastos com investimentos. Vamos a alguns exemplos:
Uma viagem ao Caribe com a família pode ser considerada um investimento em si mesmo? Claro que não. Isso por acaso está te gerando um fluxo positivo de dinheiro?
Trocar de carro pode ser considerado investimento? Também não. Lembre-se: um carro te gera um fluxo negativo de dinheiro, portanto é um passivo (te arranca dinheiro), e não um ativo (te dá dinheiro). No entanto, se você transformar o carro num táxi, e então alugá-lo, então o automóvel se tornará um ativo seu.
Se eu comprar um terreno e deixar parado por 20 anos esperando valorizar, posso considerá-lo um ativo? Caro leitor, se ele não te gera dinheiro, e se custa para manter o terreno, com gastos com manutenção e impostos, então ele é um passivo, e não um ativo.
"Mas o que são ativos?”, talvez seja a pergunta. Tudo aquilo que te gera dinheiro e permanece lá para te gerar mais dinheiro. Se você depende de uma venda futura a um preço favorável para lucrar, não está investindo, está especulando. Por isso uma ação é um ativo, enquanto uma obra de arte ou um terreno desalugado não. Um apartamento em que você recolha um aluguel mensal é um ativo. Uma ação que te paga dividendos semestrais, é um ativo. Um título que te rende juros anuais é um ativo. Claro que oscilações de preço podem transformar um lucro em prejuízo, mas o importante é a seguinte regra: o que mais importa é o fluxo positivo de dinheiro, enquanto a cotação do seu ativo deve ter papel secundário. Ou seja, se o preço do apartamento alugado e a cotação da ação do feliz proprietário cair, mas continuarem a render os mesmos aluguel e dividendos, o proprietário poderá então dizer: “Dane-se. Nem estava pensando em vender mesmo.”
A terra significa os recursos naturais: um terreno, um apartamento, uma fazenda, um galpão industrial, uma sala comercial. Quando você é dono de terra, a situação começa a mudar a seu favor. Você pode cobrar aluguel para alguém utilizar sua propriedade, e o dinheiro do aluguel entra, quer você trabalhe ou não. A remuneração da terra é o aluguel.
O capital é o dinheiro que te gera dinheiro. Pode ser participação em uma empresa, títulos, cotas de fundos de investimento ou qualquer outra coisa que te gere ativamente um fluxo positivo de dinheiro. A remuneração do capital são os juros e os lucros. Ou seja, se quiser viver sem trabalhar, precisará investir em terra e capital. Nada mais simples do que isso.
Investir em ativos e reaplicar os ganhos até que se possa viver da renda dos investimentos.
Mas o que são ativos? É toda terra e capital que te gerem um fluxo positivo de dinheiro. Infelizmente as pessoas tendem a confundir grandes gastos com investimentos. Vamos a alguns exemplos:
Uma viagem ao Caribe com a família pode ser considerada um investimento em si mesmo? Claro que não. Isso por acaso está te gerando um fluxo positivo de dinheiro?
Trocar de carro pode ser considerado investimento? Também não. Lembre-se: um carro te gera um fluxo negativo de dinheiro, portanto é um passivo (te arranca dinheiro), e não um ativo (te dá dinheiro). No entanto, se você transformar o carro num táxi, e então alugá-lo, então o automóvel se tornará um ativo seu.
Se eu comprar um terreno e deixar parado por 20 anos esperando valorizar, posso considerá-lo um ativo? Caro leitor, se ele não te gera dinheiro, e se custa para manter o terreno, com gastos com manutenção e impostos, então ele é um passivo, e não um ativo.
"Mas o que são ativos?”, talvez seja a pergunta. Tudo aquilo que te gera dinheiro e permanece lá para te gerar mais dinheiro. Se você depende de uma venda futura a um preço favorável para lucrar, não está investindo, está especulando. Por isso uma ação é um ativo, enquanto uma obra de arte ou um terreno desalugado não. Um apartamento em que você recolha um aluguel mensal é um ativo. Uma ação que te paga dividendos semestrais, é um ativo. Um título que te rende juros anuais é um ativo. Claro que oscilações de preço podem transformar um lucro em prejuízo, mas o importante é a seguinte regra: o que mais importa é o fluxo positivo de dinheiro, enquanto a cotação do seu ativo deve ter papel secundário. Ou seja, se o preço do apartamento alugado e a cotação da ação do feliz proprietário cair, mas continuarem a render os mesmos aluguel e dividendos, o proprietário poderá então dizer: “Dane-se. Nem estava pensando em vender mesmo.”
sexta-feira, 1 de maio de 2020
Se você fosse um escravo, você fugiria?
Imagine só.... o ano é 1700 e não sei que dia.... 1800 e pouco...
Você foi retirado da sua casa... apanhou... foi arrastado, humilhado.... vendido em um porto...
Passou por uma viagem que só poderia se comparar a um pesadelo.
Então foi novamente vendido em outro continente.
Te colocaram para trabalhar em um plantação de café, de cana, algodão, sei lá.
Sua vida se resume a acordar, trabalhar o tempo todo, ser mal-tratado, desrespeitado, isso tudo em outra língua e, dia após dia, você não consegue melhorar sua situação, nem devagar que fosse. Só se aproxima da morte. Sua rotina é cansativa, você recebe sua alimentação e vive estafado.
Cansado.
Sem propósito.
Realmente cansado.
Pense bem: Você fugiria?
Fugiria mesmo?
Olha só o tanto de argumentos que você e os outros à sua volta te dariam para deixar tudo como está:
1- é trabalhoso;
2- todo mundo está na mesma;
3- vai fazer o que com a liberdade quando estiver no meio do mato passando fome?
4- pode dar errado;
5- o feitor de escravos vai te perseguir;
6- você pode ficar doente em algum local isolado;
7- pode se ferir;
8- se é tão fácil, por que então todo mundo não faz isso?
9- deixe de ser sonhador;
10- Isso é conversa de vagabundo;
11- e os meus preferidos: "mas e se vier um óvni, durante uma crise, e estourar a 3a guerra mundial e vc tiver lepra, e aí depois isso, e aquilo... e aquilo outro... e zás e zás..."
Rapaz...
Veja, as pessoas à nossa volta tem muito o comportamento de caranguejo no balde, em especial no Brasil. Apenas observe: basta qualquer um surgir com uma nova idéia de negócio, um novo projeto, uma idéia.... não sei, uma idéia de construção de uma casa por exemplo; o que acontece?
Todo mundo, todo mundo, absolutamente TODO MUNDO à volta do cidadão começa a desencorajá-lo, a aparecer com mil e um argumentos de que tudo vai dar errado.
Não acredita? Faça o teste.
Chegue para a sua família e diga: vou construir uma casa;
você irá escutar:
a) mas pedreiro não faz nada direito
b) a prefeitura não vai deixar. E a escritura? e o licenciamento?
c) e o dinheiro?
d) etc
e) etc
ou diga que irá estudar 1 ano no exterior.
você irá escutar:
a) mas e seu trabalho aqui?
b) ah, o Donald Trump não vai deixar
c) e se você ficar doente?
etc
etc
etc
Bem, já viu onde quero chegar, né?
Agora pense: onde chega um ser humano sem nenhum encorajamento? Quem irá se manter em um projeto de Independência Financeira por 10, 15 ou 20 anos sem nenhum incentivo?
Veja, não é fácil:
vamos lá:
a) você irá viver abaixo do que poderia;
b) terá que ficar escolhendo ativos, gerenciando passivos;
c) irá escutar de muita gente que você é pão duro pra pior;
d) terá um imposto de renda um tanto mais trabalhoso;
e) terá todo tipo de argumento contrário ao que você quer fazer;
f) algumas coisas vão dar errado no meio do caminho.
Eu creio que a comparação do cidadão que busca a IF com o escravo que quer fugir foi bem óbvia;
E claro, depois de você chegar longe e atingir seus objetivos, aí choverão elogios;
O problema é que não temos encorajamento nenhum durante o processo.
Veja, o processo para abandonar a fazenda é muito difícil. Afinal, além da rotina normal, você terá que gastar energia se planejando;
terá que investir energia e recursos nas suas ferramentas;
energia e recursos nos seus estoques;
e terá um esforço imenso em NÃO ouvir os pessimistas de plantão.
Terá que se manter no plano por uma ou duas décadas. Meu amigo, fácil não é;
Eu evito compartilhar meus planos com os outros porque sei que uma palavra de encorajamento é coisa muito rara quando o assunto é independência financeira. O normal é a pessoas te carimbarem como sonhador, vagabundo ou doido. Vai por mim.
Em terra de cego, quem tem olho é tido como doido.
Então, caro amigo, eu reforço aqui: você concluiu que quer isso? Quer mesmo? Pois não tem problema você escolher o caminho que todo o resto escolhe. Você pode sim ficar na fazenda até morrer.
Agora, se esta idéia te causa repulsa, arrepios e um embrulho no estômago, você está no mesmo time que eu. Bora trabalhar quietinho, escondidinho, e pacientemente abandonar a fazenda de algodão.
A vida não pode ser só isso.
Você foi retirado da sua casa... apanhou... foi arrastado, humilhado.... vendido em um porto...
Passou por uma viagem que só poderia se comparar a um pesadelo.
Então foi novamente vendido em outro continente.
Te colocaram para trabalhar em um plantação de café, de cana, algodão, sei lá.
Sua vida se resume a acordar, trabalhar o tempo todo, ser mal-tratado, desrespeitado, isso tudo em outra língua e, dia após dia, você não consegue melhorar sua situação, nem devagar que fosse. Só se aproxima da morte. Sua rotina é cansativa, você recebe sua alimentação e vive estafado.
Cansado.
Sem propósito.
Realmente cansado.
Pense bem: Você fugiria?
Fugiria mesmo?
Olha só o tanto de argumentos que você e os outros à sua volta te dariam para deixar tudo como está:
1- é trabalhoso;
2- todo mundo está na mesma;
3- vai fazer o que com a liberdade quando estiver no meio do mato passando fome?
4- pode dar errado;
5- o feitor de escravos vai te perseguir;
6- você pode ficar doente em algum local isolado;
7- pode se ferir;
8- se é tão fácil, por que então todo mundo não faz isso?
9- deixe de ser sonhador;
10- Isso é conversa de vagabundo;
11- e os meus preferidos: "mas e se vier um óvni, durante uma crise, e estourar a 3a guerra mundial e vc tiver lepra, e aí depois isso, e aquilo... e aquilo outro... e zás e zás..."
Rapaz...
Veja, as pessoas à nossa volta tem muito o comportamento de caranguejo no balde, em especial no Brasil. Apenas observe: basta qualquer um surgir com uma nova idéia de negócio, um novo projeto, uma idéia.... não sei, uma idéia de construção de uma casa por exemplo; o que acontece?
Todo mundo, todo mundo, absolutamente TODO MUNDO à volta do cidadão começa a desencorajá-lo, a aparecer com mil e um argumentos de que tudo vai dar errado.
Não acredita? Faça o teste.
Chegue para a sua família e diga: vou construir uma casa;
você irá escutar:
a) mas pedreiro não faz nada direito
b) a prefeitura não vai deixar. E a escritura? e o licenciamento?
c) e o dinheiro?
d) etc
e) etc
ou diga que irá estudar 1 ano no exterior.
você irá escutar:
a) mas e seu trabalho aqui?
b) ah, o Donald Trump não vai deixar
c) e se você ficar doente?
etc
etc
etc
Bem, já viu onde quero chegar, né?
Agora pense: onde chega um ser humano sem nenhum encorajamento? Quem irá se manter em um projeto de Independência Financeira por 10, 15 ou 20 anos sem nenhum incentivo?
Veja, não é fácil:
vamos lá:
a) você irá viver abaixo do que poderia;
b) terá que ficar escolhendo ativos, gerenciando passivos;
c) irá escutar de muita gente que você é pão duro pra pior;
d) terá um imposto de renda um tanto mais trabalhoso;
e) terá todo tipo de argumento contrário ao que você quer fazer;
f) algumas coisas vão dar errado no meio do caminho.
Eu creio que a comparação do cidadão que busca a IF com o escravo que quer fugir foi bem óbvia;
E claro, depois de você chegar longe e atingir seus objetivos, aí choverão elogios;
O problema é que não temos encorajamento nenhum durante o processo.
Veja, o processo para abandonar a fazenda é muito difícil. Afinal, além da rotina normal, você terá que gastar energia se planejando;
terá que investir energia e recursos nas suas ferramentas;
energia e recursos nos seus estoques;
e terá um esforço imenso em NÃO ouvir os pessimistas de plantão.
Terá que se manter no plano por uma ou duas décadas. Meu amigo, fácil não é;
Eu evito compartilhar meus planos com os outros porque sei que uma palavra de encorajamento é coisa muito rara quando o assunto é independência financeira. O normal é a pessoas te carimbarem como sonhador, vagabundo ou doido. Vai por mim.
Em terra de cego, quem tem olho é tido como doido.
Então, caro amigo, eu reforço aqui: você concluiu que quer isso? Quer mesmo? Pois não tem problema você escolher o caminho que todo o resto escolhe. Você pode sim ficar na fazenda até morrer.
Agora, se esta idéia te causa repulsa, arrepios e um embrulho no estômago, você está no mesmo time que eu. Bora trabalhar quietinho, escondidinho, e pacientemente abandonar a fazenda de algodão.
A vida não pode ser só isso.
quinta-feira, 30 de abril de 2020
"Não luto por mais nada. Só por mim mesmo." - Casablanca
Continuando a falar um pouco sobre filmes, voltei no tempo e assisti a este clássico de 1942. Na minha opinião, existe uma massa mínima de cultura que todos devemos almejar: é importante conhecermos os clássicos da filosofia, da literatura, os filmes clássicos, bem como músicas clássicas. Não apenas pelo prazer que nos dá de apreciarmos algo de alta qualidade que passa no teste do tempo, mas também para entendermos melhor nossa história, como chegou-se à situação atual e claro, entendermos as referências e influências que os criadores atuais passaram. Além de, logicamente, não perdermos nosso tempo assistindo à Titanic...
Falando um pouco do filme, que imagino que poucos conheçam, é sobre uma rota de refugiados da 2a Guerra que passa por Casablanca, no Marrocos, em direção à Lisboa, pois dali saem navios para os EUA. As pessoas fogem da Europa para Casablanca, e enquanto aguardam vistos para irem à Lisboa, interagem em Marrocos. Não preciso falar que a polícia de Casablanca é corrupta, e para conseguir o visto sempre é necessário "dar um jeitinho". Todo mundo interage no Rick´s Bar, e este bar é do personagem principal do filme. Em algum momento chega o amor da vida dele que ele conheceu em Paris (pois ele próprio é um refugiado), e aí já não conto mais para não estragar o filme...
A história do filme é muito interessante, bem construída, e achei que para um filme bem antigo ele apresenta bastante malícia nas conversas, e na comunicação não verbal... não malícia no sentido sexual, mas no de conversar, se comunicar sem verbalizar e enganar o outro. Diferente do "E o Vento Levou", que apresenta mais romantismo e ingenuidade, do tipo quem é bom é bom e acabou e quem é mau é mau e acabou. Este filme apresenta bastante profundidade nos personagens, recomendo mesmo.
O que me chamou a atenção no filme foi esta frase do personagem principal:
"Não luto por mais nada. Só por mim mesmo". Simplesmente gostei da frase. Sei que a maioria das pessoas discorda de quem pensa assim, sente até repulsa, como se ele fosse mau-caráter. Mas veja, se ele luta por ele não está invadindo o direito de ninguém nem tomando nada de ninguém, está coberto de razão e amparado pela ética. Não vejo nenhuma falta de caráter em lutar por si mesmo, e querer coisas boas para si. Na verdade, vejo o oposto: sinto admiração por pessoas que fazem de tudo (sem invadir os direitos dos outros, claro) para prover luxo para si e para a própria família.
Afinal, se não for para lutar por si mesmo, por que nasceu? Para servir aos outros? Por que algumas pessoas, creio que a maioria da manada, não vê o sucesso com bons olhos? E se o cidadão for bem-sucedido e não fizer trabalho voluntário, ou se negar a "emprestar" uma grana para aquele parente enrolado, "ah, que desumano!"; "ah, que egoísta!". Egoísmo, que significa pensar em si mesmo, é o natural. Coletivismo é o anti-natural. Basta observar uma criança. O que é dela, é dela e pronto. Ela pode até trocar, mas não dá algo que preza ao amiguinho. Qualquer criança de dois anos entende que não existe obrigação nenhuma em compartilhar sua propriedade com os outros. Qual a dificuldade dos adultos?
Já notaram nos mendigos que vem pedir esmola achando que você tem obrigação de dar? Por que pede dinheiro, e não trabalho? Antes de demandar, todos precisam ofertar. Só temos dinheiro para demandar bens no mercado porque antes trabalhamos pelo dinheiro. Nós ofertamos bens e serviços, ganhamos nosso dinheiro, e só aí demandamos alimentação, teto, carro etc... o mendigo é o primeiro a querer quebrar a regra. Ele quer demandar sem ofertar nada. Por isso não ajudo quem não se ajuda. Por isso, se quiser fazer trabalho social, faça. Talvez você não receba a gratidão que espera, talvez os ajudados achem que você tem obrigação de ajudá-los. Talvez não. Mas só trabalhe pelos outros após ter trabalhado por si mesmo, e nunca, jamais, por pressão da família, da sociedade, da igreja ou do que quer que seja. Quem age por pressão dos outros, perde a iniciativa, e sem iniciativa, somos derrotados.
Recomendo a todos a leitura do livro "A Revolta de Atlas", com a mesma temática do egoísmo e ética que comentei.
Falando um pouco do filme, que imagino que poucos conheçam, é sobre uma rota de refugiados da 2a Guerra que passa por Casablanca, no Marrocos, em direção à Lisboa, pois dali saem navios para os EUA. As pessoas fogem da Europa para Casablanca, e enquanto aguardam vistos para irem à Lisboa, interagem em Marrocos. Não preciso falar que a polícia de Casablanca é corrupta, e para conseguir o visto sempre é necessário "dar um jeitinho". Todo mundo interage no Rick´s Bar, e este bar é do personagem principal do filme. Em algum momento chega o amor da vida dele que ele conheceu em Paris (pois ele próprio é um refugiado), e aí já não conto mais para não estragar o filme...
A história do filme é muito interessante, bem construída, e achei que para um filme bem antigo ele apresenta bastante malícia nas conversas, e na comunicação não verbal... não malícia no sentido sexual, mas no de conversar, se comunicar sem verbalizar e enganar o outro. Diferente do "E o Vento Levou", que apresenta mais romantismo e ingenuidade, do tipo quem é bom é bom e acabou e quem é mau é mau e acabou. Este filme apresenta bastante profundidade nos personagens, recomendo mesmo.
O que me chamou a atenção no filme foi esta frase do personagem principal:
"Não luto por mais nada. Só por mim mesmo". Simplesmente gostei da frase. Sei que a maioria das pessoas discorda de quem pensa assim, sente até repulsa, como se ele fosse mau-caráter. Mas veja, se ele luta por ele não está invadindo o direito de ninguém nem tomando nada de ninguém, está coberto de razão e amparado pela ética. Não vejo nenhuma falta de caráter em lutar por si mesmo, e querer coisas boas para si. Na verdade, vejo o oposto: sinto admiração por pessoas que fazem de tudo (sem invadir os direitos dos outros, claro) para prover luxo para si e para a própria família.
Afinal, se não for para lutar por si mesmo, por que nasceu? Para servir aos outros? Por que algumas pessoas, creio que a maioria da manada, não vê o sucesso com bons olhos? E se o cidadão for bem-sucedido e não fizer trabalho voluntário, ou se negar a "emprestar" uma grana para aquele parente enrolado, "ah, que desumano!"; "ah, que egoísta!". Egoísmo, que significa pensar em si mesmo, é o natural. Coletivismo é o anti-natural. Basta observar uma criança. O que é dela, é dela e pronto. Ela pode até trocar, mas não dá algo que preza ao amiguinho. Qualquer criança de dois anos entende que não existe obrigação nenhuma em compartilhar sua propriedade com os outros. Qual a dificuldade dos adultos?
Já notaram nos mendigos que vem pedir esmola achando que você tem obrigação de dar? Por que pede dinheiro, e não trabalho? Antes de demandar, todos precisam ofertar. Só temos dinheiro para demandar bens no mercado porque antes trabalhamos pelo dinheiro. Nós ofertamos bens e serviços, ganhamos nosso dinheiro, e só aí demandamos alimentação, teto, carro etc... o mendigo é o primeiro a querer quebrar a regra. Ele quer demandar sem ofertar nada. Por isso não ajudo quem não se ajuda. Por isso, se quiser fazer trabalho social, faça. Talvez você não receba a gratidão que espera, talvez os ajudados achem que você tem obrigação de ajudá-los. Talvez não. Mas só trabalhe pelos outros após ter trabalhado por si mesmo, e nunca, jamais, por pressão da família, da sociedade, da igreja ou do que quer que seja. Quem age por pressão dos outros, perde a iniciativa, e sem iniciativa, somos derrotados.
Recomendo a todos a leitura do livro "A Revolta de Atlas", com a mesma temática do egoísmo e ética que comentei.
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