Continuando a falar um pouco sobre filmes, voltei no tempo e assisti a este clássico de 1942. Na minha opinião, existe uma massa mínima de cultura que todos devemos almejar: é importante conhecermos os clássicos da filosofia, da literatura, os filmes clássicos, bem como músicas clássicas. Não apenas pelo prazer que nos dá de apreciarmos algo de alta qualidade que passa no teste do tempo, mas também para entendermos melhor nossa história, como chegou-se à situação atual e claro, entendermos as referências e influências que os criadores atuais passaram. Além de, logicamente, não perdermos nosso tempo assistindo à Titanic...
Falando um pouco do filme, que imagino que poucos conheçam, é sobre uma rota de refugiados da 2a Guerra que passa por Casablanca, no Marrocos, em direção à Lisboa, pois dali saem navios para os EUA. As pessoas fogem da Europa para Casablanca, e enquanto aguardam vistos para irem à Lisboa, interagem em Marrocos. Não preciso falar que a polícia de Casablanca é corrupta, e para conseguir o visto sempre é necessário "dar um jeitinho". Todo mundo interage no Rick´s Bar, e este bar é do personagem principal do filme. Em algum momento chega o amor da vida dele que ele conheceu em Paris (pois ele próprio é um refugiado), e aí já não conto mais para não estragar o filme...
A história do filme é muito interessante, bem construída, e achei que para um filme bem antigo ele apresenta bastante malícia nas conversas, e na comunicação não verbal... não malícia no sentido sexual, mas no de conversar, se comunicar sem verbalizar e enganar o outro. Diferente do "E o Vento Levou", que apresenta mais romantismo e ingenuidade, do tipo quem é bom é bom e acabou e quem é mau é mau e acabou. Este filme apresenta bastante profundidade nos personagens, recomendo mesmo.
O que me chamou a atenção no filme foi esta frase do personagem principal:
"Não luto por mais nada. Só por mim mesmo". Simplesmente gostei da frase. Sei que a maioria das pessoas discorda de quem pensa assim, sente até repulsa, como se ele fosse mau-caráter. Mas veja, se ele luta por ele não está invadindo o direito de ninguém nem tomando nada de ninguém, está coberto de razão e amparado pela ética. Não vejo nenhuma falta de caráter em lutar por si mesmo, e querer coisas boas para si. Na verdade, vejo o oposto: sinto admiração por pessoas que fazem de tudo (sem invadir os direitos dos outros, claro) para prover luxo para si e para a própria família.
Afinal, se não for para lutar por si mesmo, por que nasceu? Para servir aos outros? Por que algumas pessoas, creio que a maioria da manada, não vê o sucesso com bons olhos? E se o cidadão for bem-sucedido e não fizer trabalho voluntário, ou se negar a "emprestar" uma grana para aquele parente enrolado, "ah, que desumano!"; "ah, que egoísta!". Egoísmo, que significa pensar em si mesmo, é o natural. Coletivismo é o anti-natural. Basta observar uma criança. O que é dela, é dela e pronto. Ela pode até trocar, mas não dá algo que preza ao amiguinho. Qualquer criança de dois anos entende que não existe obrigação nenhuma em compartilhar sua propriedade com os outros. Qual a dificuldade dos adultos?
Já notaram nos mendigos que vem pedir esmola achando que você tem obrigação de dar? Por que pede dinheiro, e não trabalho? Antes de demandar, todos precisam ofertar. Só temos dinheiro para demandar bens no mercado porque antes trabalhamos pelo dinheiro. Nós ofertamos bens e serviços, ganhamos nosso dinheiro, e só aí demandamos alimentação, teto, carro etc... o mendigo é o primeiro a querer quebrar a regra. Ele quer demandar sem ofertar nada. Por isso não ajudo quem não se ajuda. Por isso, se quiser fazer trabalho social, faça. Talvez você não receba a gratidão que espera, talvez os ajudados achem que você tem obrigação de ajudá-los. Talvez não. Mas só trabalhe pelos outros após ter trabalhado por si mesmo, e nunca, jamais, por pressão da família, da sociedade, da igreja ou do que quer que seja. Quem age por pressão dos outros, perde a iniciativa, e sem iniciativa, somos derrotados.
Recomendo a todos a leitura do livro "A Revolta de Atlas", com a mesma temática do egoísmo e ética que comentei.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
“juros compostos são a força mais poderosa do Universo”. Albert Einstein
Diz a lenda que um rei estava muito triste devido à morte de sua filha. Este rei ofereceu qualquer recompensa, limitada à metade de seu rein...
-
Talvez o leitor já tenha se sentido como se vivesse em uma selva, tendo que “matar um leão por dia” para sobreviver, alimentar os filhos, e ...
-
Um dos posts mais comuns em blogs de finanças procura responder à questão: "é possível viver de dividendos?" E eu sempre fiquei ...
-
Quando questionadas sobre quanto dinheiro precisariam para parar definitivamente de trabalhar, a maioria das pessoas é pega de surpresa. Nun...
Nenhum comentário:
Postar um comentário