Na ânsia por chegarmos logo a uma quantia respeitável de dinheiro, cometemos excessos de frugalidade. Pude listar alguns que vi na internet:
->Fazer a conta reais/caloria na hora de ir ao mercado. (essa foi do Viver de Renda, se me lembro bem)
->Usar o banheiro do trabalho.
->Tomar poucos banhos.
->Andar a pé para economizar ônibus.
Sim, sim, e a lista não pára por aí... afinal, se um cara não vai do ponto A ao ponto B de táxi ou de carro, e nem de ônibus, que é o símbolo da pobreza, tudo para economizar, no mínimo ele merece um bom crescimento do patrimônio. De fato, o patrimônio cresce. É só dar tempo ao tempo.
Após o crescimento exponencial do patrimônio, o investidor se pergunta: "puxa vida, que ridículo eu fui, usando sapato até ficar sem sola, evitando sair de casa, e aquilo para economizar o quê? 30, 50 reais por mês? Eu não precisava ter feito tal sacrifício...errei a mão! Hoje ganho muitas vezes mais que isso só de dividendo!"
E aí vem o arrependimento, e a vontade de aconselhar os iniciantes a aproveitar melhor a vida e tals...
O fato, caros amigos investidores, é que os nossos sacrifícios no início não foram tão terríveis assim. Se lembrar bem, até que foi divertido. Primeiro, nossa bolinha de neve cresce praticamente devido a aportes no início. Cada real conta.
One day, one dollar é um ditado dos ricaços americanos. Dividendo reinvestido e um aporte mais "light" em relação à renda é pra quem já fez a parte difícil inicial. Segundo, e não menos importante, dá prazer saber que estamos nos diferenciando da manada. Afinal, se estamos fazendo diferente da manada, no mínimo sabemos que chegaremos a um destino diferente. Enquanto seu primo financiou um carro em 72x e gasta o que sobra em balada, lá está você, aportando dinheiro que iria para parcela de carro + o dinheiro do ônibus, sonhando com quando ganhará um carro apenas com os dividendos mensais, num futuro não muito distante... e a bola de neve vai crescendo.
E frugalidade extrema me lembra um caso que saiu na imprensa faz uns anos: tenho quase certeza que foi com o Antonio Ermírio de Moraes. O cara, bilionário, já velho, foi convencido pela família a finalmente tirar umas férias. ---_Lembre-se, um bilhão rendendo 12% ao ano dá 120 milhões, apenas 10 milhões por mês... isso pra 1 bilhão, e acho que ele e família tem uns 20 bi... Começa que o cara vai de avião comercial (nada de jatinho, veja aí a grande teoria do ponto A ao ponto B em aplicação) pra Paris com a esposa. Chegando lá, a companhia aérea sumiu com uma mala dele. A esposa o convence a não se estressar, que eles deveriam aproveitar a viagem. Eles passam numa rua comercial na mesma noite, com um objetivo simples: comprar cuecas, pois todas estavam na mala extraviada. Ao entrar numa Ralph Lauren da vida, ele depara-se com o preço praticamente jocoso de 60 dólares por uma cueca! E nosso herói recusa-se a comprar, e no dia seguinte vai num "Brás" qualquer lá de Paris e compra cuecas a preços realistas...
Nossa, quase me escorre uma lágrima. Que heroísmo! O cara tem uma fortuna tão bizarra que é até difícil de calcular, afinal entra e sai dinheiro a cada minuto... vive na mais absurda abundância, mas trabalhou tanto a vida toda que não se esqueceu que vivemos num mundo de escassez. Que dinheiro não aceita desaforo. E se recusou a gastar uma merreca ridícula para ele, o que seria muito mais insignificante que 1 centavo para um de nós. Ele podia ter comprado a porra da loja inteira com um cheque. Por isso o cara é rico. Porque ele valoriza o dinheiro.
Então, quando alguém da manada tentar te repreender dizendo que você é pão-duro, sorria e pense no que um bilionário self-made man como Buffett, Parisotto, Barsi ou Antonio Ermírio diria do seu comportamento. Afinal, se é para se importar com a opinião de alguém, que seja com a opinião desses dos nossos exemplos!
quarta-feira, 6 de maio de 2020
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