Acabei de ver o filme V de Vingança, e ele me surpreendeu positivamente. Ele foi um filme um tanto especial para eu que tenho uma certa tendência à anarquia. Filmes bons que mostram os bons valores da responsabilidade pessoal e justiça aqui e agora, são apenas os de faroeste. Gosto do Clint Eastwood, principalmente os filmes velhões. Mas vamos falar do V de Vingança, um filme com viés anarquista!
Inicialmente, um comentário: gostei tanto do filme com este viés anarquista pois tudo o que vemos hoje em dia é cheio de baboseira socialista, e isso enche a paciência... basta o cara querer ganhar dinheiro, já vira um malvado sem escrúpulos, já escutamos ao fundo algum susurro "ninguém cuida das criancinhas", ou "a polícia só faz um mal trabalho porque falta dinheiro", ou "que tal criar um novo imposto" etc e tal...
Quando aparece um empresário bom, é porque ele quer "fazer pelo social", "ambientalismo" e o raio que o seja. Não assisti ao Avatar, mas sei que a história é sobre uma corporação malvada que vai destruir o meio ambiente a cultura do índios ou sei lá como que se chamam os azuizinhos... enfim, estas histórias cansaram! Este é o motivo do sucesso do Tropa de Elite. Não fica endeuzando bandido, como esquerdistas gostam tanto.
Desabafos à parte, falemos do V de Vingança: o filme me colocou para pensar. Especialmente esta frase que citei, que foi a parte que mais me impactou do filme. Quantas vezes não temos medo de chegar naquela gatinha e não fazemos nada? Quantas vezes deixamos de iniciar um negócio com medo de perder dinheiro? Quantas tempo enrolamos para comprar ações até finalmente tomarmos coragem e iniciarmos?
Ora, já cheguei em muitas gatinhas, e a regra é tomar uma botinada. Já vi vários colegas iniciarem negócios e perderem dinheiro. Quando liguei na corretora do Bradesco anos atrás (em 2006 creio) dizendo que queria comprar ações, o atendente riu da minha cara quando eu disse que tinha 2k para comprar ações.
Ora, o que quero dizer neste post é que as coisas dão errado. Especialmente se você vai só com a cara e com a coragem, sem planejar. O nosso medo não é irracional, ele sabe que a probabilidade de dar errado é maior do que a de dar certo.
No entanto, por muitas vezes ficamos paralizados por ele. Como que vamos atingir algum objetivo se não ousamos? Se deixamos o medo nos controlar? Só vai chegar no sucesso quem tentar, e geralmente as histórias de sucesso são cheias de percalços que fariam os "normais" desistirem.
Estou me lembrando dos percalços que passei (até hoje) na bolsa. O atendente despreparado foi apenas o primeiro, e o mais simples... fiquei puto na hora, mas depois vi a propaganda da Easynvest e falei com eles. Fui muito melhor atendido, por isso comecei a trabalhar com eles.
Quando iniciei, como já disse em outro post, meu pensamento era: "se tudo der errado, continuo pobre. É só não me alavancar que as perdas estarão limitas ao meu capital. Arriscado é ficar dependendo de emprego o resto da vida." Uma outra coisa que eu pensei, e que foi o que me convenceu, foi:
"Meus amigos estão todos indo atrás de pós... tem um cara que vai trabalhar um tempo em Londres como garçom ou sei lá o que só pelo currículo... ora, pós, cursos, experiência internacional.... tudo isso tem custos... e sinceramente, eu acho que aprenderei mais pondo a mão na massa do que fazendo algum curso. Está decido, provavelmente serei engolido vivo pelos tubarões do mercado, como todo mundo é, mas no final terei aprendido e na próxima vez poderei faturar de verdade. Com a vantagem de que será uma fonte de renda além do meu trabalho."
O que aconteceu depois foi uma cagada que tenho vergonha até hoje. Eu diligentemente entrei no site da bovespa, olhei ação por ação e dividi o lucro líquido pelo número de ações. Com o preço das ações, calculei o P/L de todas. A anta aqui achava que o lucro das empresas fosse estável o suficiente para ignorar pequenas variações, mas este foi meu menor erro. O fato é que algumas ações são apenas BDRs... para quem não sabe o que é, dá uma googlada em Brazilian Depositary Receipts...
Como é apenas uma pequena parte das ações da empresa negociada aqui na bovespa (e mostrava um número muito pequeno de ações no site), o índice P/L ficou ótimo (acho que menos que 1) para uma empresa, o Banco da Patagônia. Eu achei um pouco estranho, mas quem sou eu, eu havia dito para mim mesmo que iria achar a empresa com menor P/L e comprar, não importava se fosse obscura ou não.
Resumindo, comprei 100 ações a 50 cada... tinha só uma ordem de venda, e fechei com aquela. Nem me preocupei com a falta de liquidez... só sei que umas duas semanas depois fui entender o que raio eram BDRs e quando fui vender, que surpresa! o preço estava em 35! Perdi 1.500 reais em duas semanas! WTF!
Eu me lembro que eu suava frio pensando naquele livro de ordens vazio completamente sem liquidez...só suei tão frio assim novamente no crash de 2008. Ei, mas era para isso que eu havia começado. Aquela primeira lição me custou 1.500 reais... aiai... e eu só tinha 5 mil...agora 3,5 ....se cada lição fosse me custar tanto assim, eu seria expulso do mercado em menos de 3 meses. Felizmente, estudei, aprendi e minha "sorte" mudou.
A mensagem que quero deixar é esta: As coisas dão errado muito mais do que dão certo. Mas nossa experiência, tentativa e erro, e claro, aprender com os erros dos outros são ferramentas que desenvolvemos e depois, conforme estamos mais bem equipados, o medo se torna apenas uma lembrança remota... hoje investir em ações é para mim algo natural, faz parte do cotidiano.
Enquanto temos medo, e ficamos criando mil histórias na cabeça sobre como as coisas podem dar errado, outras pessoas estão no mercado, seja de ações, seja no mercado amoroso... quando não permitimos ao medo dominar nossos pensamentos, somos verdadeiramente livres. E é disso que se trata.
segunda-feira, 27 de abril de 2020
domingo, 26 de abril de 2020
Xeque!
Eu me lembro que desde criança sempre gostei de jogar xadrez. Meu pai me ensinou, e logicamente vivia deixando eu ganhar para que eu me empolgasse mais com o jogo. Houve uma partida que me lembro muito bem, uma na qual ele não me deixou vencer. Ele ardilosamente me deixou achar que estava vencendo no início, me deixou tomar algumas peças, e então, quando eu menos esperava: "xeque!"
Eu fugia, e logo escutava:
"xeque!"
Eu fugia, me recompunha, e novamente era acuado:
"xeque!"
Em algumas vezes eu apenas ia fugindo, em outras eu tinha que fugir e deixar algumas peças sacrificadas para ele. Logo a minha vantagem de peças se esvaiu. Mais tarde eu estudaria os jogos dos grandes Capablanca, Alekhine e Reti e entenderia que pensar como eu pensava, que o cavalo vale 3, a torre vale 5 e a rainha vale 10 é pura bobagem, típico pensamento "dentro da caixa".
Mas enfim, minha vantagem de peças, tão valorizada por mim, se foi mais rápido do que eu poderia entender o que estava acontecendo.
E "xeque!".
"xeque!"
"xeque!"
Eu não tinha tempo para respirar. Quando eu pensava que ia conseguir inventar alguma saída, e talvez vencer, a realidade se impunha:
"xeque!", ele insistia.
Após algum tempo eu só queria sair dali. Se eu empatasse o jogo já seria uma vitória. O problema é que no xadrez sou péssimo para forçar empates. Especialmente quando estou em desvantagem e precisando empatar, aí que eu não sei mesmo. Obviamente eu perdi logo depois.
Sem fazer um sermão, sem dar conselhos, sem falar nada além de "xeque!" meu pai me ensinou uma valiosa lição. Claro que não aprendi na hora, pois na hora fiquei chateado.
Mas fiquei pensativo.
Até hoje me lembro que não quero jamais perder o controle da situação daquele jeito.
E para estar no controle, é preciso nunca abandonar a iniciativa, e sempre pensar à frente.
Eu aprendi que no xadrez, como em qualquer outra coisa na vida, quem toma a iniciativa tem o controle.
Quem toma a iniciativa consegue levar o oponente para onde quer, e quem leva o oponente para onde quer, tem a vantagem. Claro, tomar iniciativa não significa afobação. Wellington aguardou meses para que Napoleão cometesse um erro, para só então se revelar e entrar em combate. Aníbal optou por passar pelos alpes ao invés de encarar a patrulha romana (típico movimento "fora da caixa"). E Ho Chi Min preparou a ofensiva Tet por anos antes de colocá-la em prática.
Devo ter levado uns 30 xeques naquele jogo. Senti a angústia que é estar fora do controle da situação. Fiz de tudo para me recompor, e nada adiantou. O adversário estava sempre um passo à frente, me destruindo.
Foi a partida que mais aprendi.
O primeiro livro na história que se tem notícia de colocar a mobilidade e a iniciativa como valores maiores do que a força bruta ou uma defesa intransponível foi feito pelo General Sun Tzu. Indico para todos seu livrinho: A Arte da Guerra . É de rápida leitura, bastante objetivo e nos dá idéias muito valiosas que geralmente não temos. É para ser lido e relido, especialmente se você estiver em alguma situação de conflito ou disputa. Nota 10!
Eu fugia, e logo escutava:
"xeque!"
Eu fugia, me recompunha, e novamente era acuado:
"xeque!"
Em algumas vezes eu apenas ia fugindo, em outras eu tinha que fugir e deixar algumas peças sacrificadas para ele. Logo a minha vantagem de peças se esvaiu. Mais tarde eu estudaria os jogos dos grandes Capablanca, Alekhine e Reti e entenderia que pensar como eu pensava, que o cavalo vale 3, a torre vale 5 e a rainha vale 10 é pura bobagem, típico pensamento "dentro da caixa".
Mas enfim, minha vantagem de peças, tão valorizada por mim, se foi mais rápido do que eu poderia entender o que estava acontecendo.
E "xeque!".
"xeque!"
"xeque!"
Eu não tinha tempo para respirar. Quando eu pensava que ia conseguir inventar alguma saída, e talvez vencer, a realidade se impunha:
"xeque!", ele insistia.
Após algum tempo eu só queria sair dali. Se eu empatasse o jogo já seria uma vitória. O problema é que no xadrez sou péssimo para forçar empates. Especialmente quando estou em desvantagem e precisando empatar, aí que eu não sei mesmo. Obviamente eu perdi logo depois.
Sem fazer um sermão, sem dar conselhos, sem falar nada além de "xeque!" meu pai me ensinou uma valiosa lição. Claro que não aprendi na hora, pois na hora fiquei chateado.
Mas fiquei pensativo.
Até hoje me lembro que não quero jamais perder o controle da situação daquele jeito.
E para estar no controle, é preciso nunca abandonar a iniciativa, e sempre pensar à frente.
Eu aprendi que no xadrez, como em qualquer outra coisa na vida, quem toma a iniciativa tem o controle.
Quem toma a iniciativa consegue levar o oponente para onde quer, e quem leva o oponente para onde quer, tem a vantagem. Claro, tomar iniciativa não significa afobação. Wellington aguardou meses para que Napoleão cometesse um erro, para só então se revelar e entrar em combate. Aníbal optou por passar pelos alpes ao invés de encarar a patrulha romana (típico movimento "fora da caixa"). E Ho Chi Min preparou a ofensiva Tet por anos antes de colocá-la em prática.
Devo ter levado uns 30 xeques naquele jogo. Senti a angústia que é estar fora do controle da situação. Fiz de tudo para me recompor, e nada adiantou. O adversário estava sempre um passo à frente, me destruindo.
Foi a partida que mais aprendi.
O primeiro livro na história que se tem notícia de colocar a mobilidade e a iniciativa como valores maiores do que a força bruta ou uma defesa intransponível foi feito pelo General Sun Tzu. Indico para todos seu livrinho: A Arte da Guerra . É de rápida leitura, bastante objetivo e nos dá idéias muito valiosas que geralmente não temos. É para ser lido e relido, especialmente se você estiver em alguma situação de conflito ou disputa. Nota 10!
Riqueza
Afinal, o que é ser rico?
É ter um milhão de reais?
Um milhão de dólares?
10 quilos de ouro escondidos num cofre enterrado a 20m de profundidade?
Será que ser rico é ter um emprego de alto executivo de multinacional, faturando bônus milionários, proprietário de iate, membro do iate clube, com um imóvel em Miami, uma esposa escultural, filhos poliglotas matriculados nos colégios mais caros e quem sabe, ter o sonho dos milionários: um jatinho?
Eu digo que, para mim, o conceito de riqueza é diferente. Riqueza não é dinheiro no banco, propriedades ou status. Ter um carrão que quase ninguém consegue pagar, tampouco. Afinal, geralmente o executivo citado passa o dia preocupado com as metas na empresa, passeia no seu iate no máximo duas vezes ao ano, mal se lembra de como é o imóvel em Miami, mal vê a esposa linda e os filhos. Ele é mais escravo das corporações do que nós meros mortais. Quem é mais rico? Quem come nos restaurantes mais caros, ou quem passa mais tempo com a família?
-“Ah, mas isso é papo de perdedor”, o caro leitor pode estar pensando. Papo de perdedor ou não, reveja suas prioridades. Vale a pena sacrificar a saúde e o convívio com a família em nome do status? Pois como qualquer ser provido de bom-senso sabe, um iate parado na marina não dá prazer a ninguém, assim como ficar num carrão de 200 cavalos parado no trânsito não é tão melhor assim do que ficar parado no trânsito em um carro popular.
Vamos aos fatos: quem compra coisas caras que fazem exatamente a mesma coisa que coisas mais em conta (carros caros, roupas caras, relógios caros...), o faz pelo status. O faz para suprir uma insegurança sobre o que os outros vão pensar dele.
E na modesta opinião deste autor, capital é para nos tornar livres, e não escravos. Afinal, a gente não consegue comprar mais tempo.
Capital é para que você consiga o suficiente para viver bem sem ser escravo do trabalho. Se você for capaz de fazer isso com menos de 1 milhão de reais, melhor para você!
Por isso minha idéia fixa é ficar rico, mas rico de verdade. É poder passar tempo com a família, passear, e ter mais tempo para si mesmo. É não obedecer a chefe. É não ter que se preocupar com dívida. É passar o tempo planejando a próxima viagem, e não ficar preocupado com a promoção na empresa que nunca chegará. É não ter que me preocupar com chefe, com meta de empresa, com MBA, especialização e reuniões infrutíferas e intermináveis. E claro, aproveitar a vida agora, pois só existe uma.
Sem consumismo.
Sem trocar de celular só porque saiu um modelo novo.
Não penso em comprar um carro que vale metade de uma casa. Um carro é pra te levar do ponto A ao ponto B. Claro, se tiver ar, direção e som te dará mais conforto. Mas se preocupar com o que os outros vão pensar, ou em impressionar as marias-gasolina, é imaturidade. Enfim, desejo a independência financeira. Por isso, sempre que eu utilizar a palavra “riqueza”, ou “rico”, estarei pensando em uma pessoa que não precisa trabalhar, e não numa pessoa que viva no luxo, comprando vinhos caros, carros caros e sabe-se lá mais o que.
É ter um milhão de reais?
Um milhão de dólares?
10 quilos de ouro escondidos num cofre enterrado a 20m de profundidade?
Será que ser rico é ter um emprego de alto executivo de multinacional, faturando bônus milionários, proprietário de iate, membro do iate clube, com um imóvel em Miami, uma esposa escultural, filhos poliglotas matriculados nos colégios mais caros e quem sabe, ter o sonho dos milionários: um jatinho?
Eu digo que, para mim, o conceito de riqueza é diferente. Riqueza não é dinheiro no banco, propriedades ou status. Ter um carrão que quase ninguém consegue pagar, tampouco. Afinal, geralmente o executivo citado passa o dia preocupado com as metas na empresa, passeia no seu iate no máximo duas vezes ao ano, mal se lembra de como é o imóvel em Miami, mal vê a esposa linda e os filhos. Ele é mais escravo das corporações do que nós meros mortais. Quem é mais rico? Quem come nos restaurantes mais caros, ou quem passa mais tempo com a família?
-“Ah, mas isso é papo de perdedor”, o caro leitor pode estar pensando. Papo de perdedor ou não, reveja suas prioridades. Vale a pena sacrificar a saúde e o convívio com a família em nome do status? Pois como qualquer ser provido de bom-senso sabe, um iate parado na marina não dá prazer a ninguém, assim como ficar num carrão de 200 cavalos parado no trânsito não é tão melhor assim do que ficar parado no trânsito em um carro popular.
Vamos aos fatos: quem compra coisas caras que fazem exatamente a mesma coisa que coisas mais em conta (carros caros, roupas caras, relógios caros...), o faz pelo status. O faz para suprir uma insegurança sobre o que os outros vão pensar dele.
E na modesta opinião deste autor, capital é para nos tornar livres, e não escravos. Afinal, a gente não consegue comprar mais tempo.
Capital é para que você consiga o suficiente para viver bem sem ser escravo do trabalho. Se você for capaz de fazer isso com menos de 1 milhão de reais, melhor para você!
Por isso minha idéia fixa é ficar rico, mas rico de verdade. É poder passar tempo com a família, passear, e ter mais tempo para si mesmo. É não obedecer a chefe. É não ter que se preocupar com dívida. É passar o tempo planejando a próxima viagem, e não ficar preocupado com a promoção na empresa que nunca chegará. É não ter que me preocupar com chefe, com meta de empresa, com MBA, especialização e reuniões infrutíferas e intermináveis. E claro, aproveitar a vida agora, pois só existe uma.
Sem consumismo.
Sem trocar de celular só porque saiu um modelo novo.
Não penso em comprar um carro que vale metade de uma casa. Um carro é pra te levar do ponto A ao ponto B. Claro, se tiver ar, direção e som te dará mais conforto. Mas se preocupar com o que os outros vão pensar, ou em impressionar as marias-gasolina, é imaturidade. Enfim, desejo a independência financeira. Por isso, sempre que eu utilizar a palavra “riqueza”, ou “rico”, estarei pensando em uma pessoa que não precisa trabalhar, e não numa pessoa que viva no luxo, comprando vinhos caros, carros caros e sabe-se lá mais o que.
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
É possível viver de salários?
Um dos posts mais comuns em blogs de finanças procura responder à questão:
"é possível viver de dividendos?"
E eu sempre fiquei intrigado com este tipo de questionamento. O conservadorismo das pessoas cresce e aparece! A mais comum objeção é: "e se a empresa parar de pagar dividendos? E se a empresa quebrar?" aiai, vamos por partes: o que é mais fácil?
A) Uma carteira composta por excelentes empresas, digamos 6, 8 ou 10 empresas muito bem estabelecidas como Bradesco, BB, Ambev, Telefônica, Vale e outras Blue Chips quebrar ou resolver pagar muito menos dividendos ao mesmo tempo;
B) Você perder seu emprego "lá na firma?"
Outro ponto importante, imagine que a Mãe de Todas as Crises + Terrível Guerra Mundial + Revolução Religiosa + Fome + Peste Negra + Pestes Bíblicas + Meteoros nas fábricas da Ambev + Super Crise de Derivativos aconteçam ao mesmo tempo: Metade da sua carteira composta por blue chips tradicionais quebra, e a outra metade resolve ficar 3 anos sem pagar dividendos. Quem está em melhor situação? O capitalista recebedor de dividendos ou o empregado estável?
Ora, ora... se isso acontecer, o capitalista ainda pode ir vendendo 3 a 5% de sua carteira todo ano (claro que a um preço muito baixo) e satisfazer suas necessidades de fluxo de caixa até que as empresas sobreviventes se recuperem e voltem a distribuir seus lucros. No entanto, nosso amigo assalariado já teria há muito tempo perdido seu emprego lá na firma, bem como seu valoroso convênio médico. E então não terá nada. Não importa a crise, quem perde primeiro é o povo assalariado, seja via desemprego, seja via inflação, os capitalistas só perderão após todos perderem antes. Se a crise for profunda com esta que vivemos desde 2008, ainda aparecerá o governo (seja aqui, seja nos USA) para pegar o dinheiro dos impostos e salvar as empresas. Não é justo, eu sei, mas já que o mundo é injusto, que tentemos nos posicionar no lado favorecido.
Como não vivemos numa sociedade de castas e com algum sacrifício é possível virar um capitalista, mesmo que um dos mais pobres entre eles, vamos aproveitar a chance.
Você consegue viver de salário? Você suporta a idéia de que pode chegar uma bela segunda-feira e seu chefe te demitir sem mais nem menos? Você aguenta trabalhar o dia inteiro cumprindo ordens? Então qual seria a sua dificuldade de levar uma vida mais mansa, trabalhando umas 6 horas por semana analisando empresas e conferindo quando chegam seus dividendos, e planejando como gastar? Você conseguiria viver de dividendos. É mais seguro, mais simples e menos arriscado. E ainda teria tempo livre para se dedicar à musica, à literatura, à família, ou seja lá o que você valoriza e aprecia. Existe um preço a pagar para chegar a esta situação. Você deverá investir a maior parte de tudo o que ganha por vários anos a fio, suportar viver num padrão muito abaixo do que poderia e aguentar gente que quer se colocar em situação moralmente superior à sua te chamando de sovina, pão-duro e doido. Ou você paga o preço, ou não paga. Ou tenta fazer diferente da manada, ou faz igual. Você decide.
"é possível viver de dividendos?"
E eu sempre fiquei intrigado com este tipo de questionamento. O conservadorismo das pessoas cresce e aparece! A mais comum objeção é: "e se a empresa parar de pagar dividendos? E se a empresa quebrar?" aiai, vamos por partes: o que é mais fácil?
A) Uma carteira composta por excelentes empresas, digamos 6, 8 ou 10 empresas muito bem estabelecidas como Bradesco, BB, Ambev, Telefônica, Vale e outras Blue Chips quebrar ou resolver pagar muito menos dividendos ao mesmo tempo;
B) Você perder seu emprego "lá na firma?"
Outro ponto importante, imagine que a Mãe de Todas as Crises + Terrível Guerra Mundial + Revolução Religiosa + Fome + Peste Negra + Pestes Bíblicas + Meteoros nas fábricas da Ambev + Super Crise de Derivativos aconteçam ao mesmo tempo: Metade da sua carteira composta por blue chips tradicionais quebra, e a outra metade resolve ficar 3 anos sem pagar dividendos. Quem está em melhor situação? O capitalista recebedor de dividendos ou o empregado estável?
Ora, ora... se isso acontecer, o capitalista ainda pode ir vendendo 3 a 5% de sua carteira todo ano (claro que a um preço muito baixo) e satisfazer suas necessidades de fluxo de caixa até que as empresas sobreviventes se recuperem e voltem a distribuir seus lucros. No entanto, nosso amigo assalariado já teria há muito tempo perdido seu emprego lá na firma, bem como seu valoroso convênio médico. E então não terá nada. Não importa a crise, quem perde primeiro é o povo assalariado, seja via desemprego, seja via inflação, os capitalistas só perderão após todos perderem antes. Se a crise for profunda com esta que vivemos desde 2008, ainda aparecerá o governo (seja aqui, seja nos USA) para pegar o dinheiro dos impostos e salvar as empresas. Não é justo, eu sei, mas já que o mundo é injusto, que tentemos nos posicionar no lado favorecido.
Como não vivemos numa sociedade de castas e com algum sacrifício é possível virar um capitalista, mesmo que um dos mais pobres entre eles, vamos aproveitar a chance.
Você consegue viver de salário? Você suporta a idéia de que pode chegar uma bela segunda-feira e seu chefe te demitir sem mais nem menos? Você aguenta trabalhar o dia inteiro cumprindo ordens? Então qual seria a sua dificuldade de levar uma vida mais mansa, trabalhando umas 6 horas por semana analisando empresas e conferindo quando chegam seus dividendos, e planejando como gastar? Você conseguiria viver de dividendos. É mais seguro, mais simples e menos arriscado. E ainda teria tempo livre para se dedicar à musica, à literatura, à família, ou seja lá o que você valoriza e aprecia. Existe um preço a pagar para chegar a esta situação. Você deverá investir a maior parte de tudo o que ganha por vários anos a fio, suportar viver num padrão muito abaixo do que poderia e aguentar gente que quer se colocar em situação moralmente superior à sua te chamando de sovina, pão-duro e doido. Ou você paga o preço, ou não paga. Ou tenta fazer diferente da manada, ou faz igual. Você decide.
"A luta pelo dinheiro é santa - porque é, no fundo, a luta pela liberdade (...)”
Talvez o leitor já tenha se sentido como se vivesse em uma selva, tendo que “matar um leão por dia” para sobreviver, alimentar os filhos, e acordar no outro dia, preparado ou não, para ficar de frente com o próximo leão. Tenho uma novidade para você: é exatamente isso! O mundo é um lugar de escassez. Miséria e tirania são a regra na história da humanidade, não a exceção. Existiram pequeníssimos lapsos de tempo com alguma prosperidade e liberdade, e estamos vivendo em um agora. Mas não se engane: é uma selva, sempre foi e sempre será. Não o vejo como cruel. Apenas incrivelmente indiferente. Você pode estar morrendo de fome, se afogando ou chorando pelo seu amor não-correspondido. Ele simplesmente não liga. Ninguém liga. E este é o primeiro pensamento que quero que o leitor tenha em mente: seu sucesso ou fracasso só depende de você. Se você não for atrás de comida, ou não começar a nadar, ou não ligar para seu amor (ou para outra, obviamente), a situação não irá melhorar sozinha.
Por isso, vamos aos fatos: as coisas nunca serão como você quer. Você pode ficar se lamentando e culpando o chefe, o capitalismo, o governo ou seu nervosismo na sua última entrevista. Culpar fatores externos pode te fazer sentir mais confortável, mas não irão alterar a situação.
O sofrimento é a distância entre o que idealizamos ter e o que temos de fato. Pegue um homem doente, e lhe dê saúde. O fato de não ter saúde o incomodava sobremaneira. Este ficará brevemente satisfeito, mas logo estará infeliz pelo fato de não ter uma casa própria. Dê-lhe a casa. Ficará feliz, mas logo estará reclamando da localização, do tamanho, dos vizinhos. O leitor já deve ter entendido a mensagem: a insatisfação é a regra da vida. A resposta dos budistas a este problema da insatisfação eterna do ser humano é simples: já que o sofrimento vem da distância entre o que desejamos e o que temos, não deseje nada! Ora, os budistas devem estar certos, isso realmente deve funcionar. No entanto, desejar ou não desejar não é uma opção. Não posso ver uma Ferrari e dizer: “não, não quero desejar isso.” O que se pode pensar sabiamente é: “veja, eu iria amar ter uma Ferrari. Mas para conseguir uma, o custo seria maior do que o prazer que o carro me daria. Quanto tempo eu teria que trabalhar, poupar, para chegar lá? Não, não vale a pena. Mas se eu quisesse, conseguiria! O ponto mais importante que que quero chegar é que <b>a insatisfação leva à ação.Não ligue pro papo dos budistas de não desejar nada. Viver é desejar melhorar nossa situação, e só age quem está insatisfeito. Quem está satisfeito não age, simplesmente fica parado onde está. Por isso, o mais importante é aprender a canalizar a nossa insatisfação para conseguirmos coisas boas para nós. Quando discorri sobre ir atrás de comida, sair nadando ou ligar para a pessoa amada, era justamente esta a idéia: deixe que os outros reclamem do chefe, da falta de meritocracia na empresa, do pai que não poupou, da burocracia, da receita federal e mãos à obra. Vamos usar a insatisfação como motivação para progredir rumo à Independência Financeira.
"(...) mas até certa soma. Passada ela - é a tristonha e baixa gula do ouro" - Eça de Queiroz
Por isso, vamos aos fatos: as coisas nunca serão como você quer. Você pode ficar se lamentando e culpando o chefe, o capitalismo, o governo ou seu nervosismo na sua última entrevista. Culpar fatores externos pode te fazer sentir mais confortável, mas não irão alterar a situação.
O sofrimento é a distância entre o que idealizamos ter e o que temos de fato. Pegue um homem doente, e lhe dê saúde. O fato de não ter saúde o incomodava sobremaneira. Este ficará brevemente satisfeito, mas logo estará infeliz pelo fato de não ter uma casa própria. Dê-lhe a casa. Ficará feliz, mas logo estará reclamando da localização, do tamanho, dos vizinhos. O leitor já deve ter entendido a mensagem: a insatisfação é a regra da vida. A resposta dos budistas a este problema da insatisfação eterna do ser humano é simples: já que o sofrimento vem da distância entre o que desejamos e o que temos, não deseje nada! Ora, os budistas devem estar certos, isso realmente deve funcionar. No entanto, desejar ou não desejar não é uma opção. Não posso ver uma Ferrari e dizer: “não, não quero desejar isso.” O que se pode pensar sabiamente é: “veja, eu iria amar ter uma Ferrari. Mas para conseguir uma, o custo seria maior do que o prazer que o carro me daria. Quanto tempo eu teria que trabalhar, poupar, para chegar lá? Não, não vale a pena. Mas se eu quisesse, conseguiria! O ponto mais importante que que quero chegar é que <b>a insatisfação leva à ação.Não ligue pro papo dos budistas de não desejar nada. Viver é desejar melhorar nossa situação, e só age quem está insatisfeito. Quem está satisfeito não age, simplesmente fica parado onde está. Por isso, o mais importante é aprender a canalizar a nossa insatisfação para conseguirmos coisas boas para nós. Quando discorri sobre ir atrás de comida, sair nadando ou ligar para a pessoa amada, era justamente esta a idéia: deixe que os outros reclamem do chefe, da falta de meritocracia na empresa, do pai que não poupou, da burocracia, da receita federal e mãos à obra. Vamos usar a insatisfação como motivação para progredir rumo à Independência Financeira.
"(...) mas até certa soma. Passada ela - é a tristonha e baixa gula do ouro" - Eça de Queiroz
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